Alunos de Manaus admitem uso de drogas e álcool

A questão das drogas há muito tempo deixou de ser apenas um problema de saúde pública. Hoje podemos considerar um problema social, econômico e cultural. E, principalmente, um abreviador de sonhos e da estrutura familiar. Mais: trata-se de uma questão de extrema urgência, que exige esforços ampliados e vontade política.

Tenho um sentimento de que podemos agir através de uma grande aliança entre o poder público, a sociedade organizada, as universidades, as igrejas e as famílias. Desta forma podemos começar um plano de ação prático e possível. Já iniciamos um diálogo com alguns protagonistas desse sonho, como a Universidade Estadual do Amazonas e o Instituto Novo Mundo, entre outros.

Precisamos aprender as melhores práticas, entender as experiências vencedoras e como fazer para ampliá-las e replicá-las. Faz-se necessário ouvir o que cada liderança tem a dizer sobre o tema, o que vem fazendo em suas ações cotidianas.

A meu ver o ponto de partida são as escolas e as crianças. Os dados estatísticos informam que há um aumento do consumo de drogas já a partir dos 8 anos. E o que parece ser preocupante é que, dentro do ambiente escolar, os gestores, os professores e a família não estão preparados para lidar com o assunto, transformando-o, com frequência, em caso de policia. Uma ação reativa e repressora, nunca preventiva.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a rede municipal tem mais de 227 mil crianças até 14 anos. E temos um alarmante índice de 13% de evasão escolar na capital, isto é, quase 30 mil crianças somente este ano abandonaram a escola e perderam uma perspectiva de futuro. São potenciais soldados a serem arregimentado pelo mundo do tráfico, com seus meios de sedução baseado no aliciamento, fornecimento de drogas e armas. Precisamos evitar esse cenário.

Objetivamente gostaria de propor uma ação junto ao governo do Estado, em conjunto com igrejas, associações e outras instituições para que as escolas e sua estrutura funcionem nos fins de semana em um projeto terapêutico, onde serão realizados treinamentos que desenvolverão habilidades sociais, técnicas e estratégias especializadas, inclusive com depoimentos e campanhas de esclarecimento. Além disso, serão desenvolvidas atividades desportivas e culturais. Não é uma ideia nova, mas nunca foi levada a termo. Precisamos executa-la, botar em prática. Essa é a proposta.

Porém, somente obteremos êxito se tivermos o apoio da sociedade civil organizada, pois o Estado pode até entrar com o equipamento, mas não tem estrutura de pessoal com disponibilidade, recursos e conhecimentos para enfrentar esse desafio sozinho.
Este trabalho tem a característica própria do voluntariado, pessoas que vivem esta realidade em sua própria família precisam agir. Gestores, professores, pais poderão dar a sustentação necessária para a prevenção do maior risco social que enfrentamos hoje para a nossa juventude.

Também é importante a presença do Estado através das secretarias e de convênios com as universidades. Graças à sua capilaridade por praticamente todos os municípios bem como campo fértil para se desenvolver as estratégias em suas áreas de conhecimentos como serviço social, psicologia, educação física e as demais unidades educacionais, as universidades deverão ser integradas e prestar o retorno que a sociedade espera delas. Quanto às secretarias estaduais, essas deverão desenvolver um plano integrado na gestão da relação da escola, da família e da comunidade. Com essa iniciativa será aberta uma área de convivência social e de lazer para as comunidades.

Este sentimento que começa a ser semeado é apenas o início de um longo exercício de discussão da sociedade consigo mesma, no intuito de trazer alma renovada ao nosso Amazonas e fazer a escolha por esses jovens. Atuar na prevenção, no relacionamento e no diálogo.

Gostaria muito de ouvir mais sugestões, criticas e aprender um pouco mais sobre o tema. Juntos podemos fazer mais. Por que não?

Dep. Estadual Chico Preto (PMN)